" ESCREVER É AMADURECER COM AS PRÓPRIAS IDEIAS!"

( Roberta Amaro )

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SOBRE AS ÁGUAS


A sensação de estar sobre as águas...
Algo inexplicável e humanamente falando impossível. Uma experiência única descrita em Mateus 6.49. Fico pensando qual seria o significado que Jesus teria naquele momento para expressar aos seus seguidores;
Ninguém mais pode vivenciar o que aqueles discípulos vivenciaram junto ao Mestre. A intenção de Jesus não era de mostrar-se aos seus seguidores, Ele tinha um plano com toda aquela demonstração. Jesus não queria que Pedro se sentisse superior a natureza e mais forte do que a força daquelas águas. Ele queria que seu discípulo enfrentasse todos os seus medos e fosse o que era realmente. Andando sobre as águas e mesmo em meio a uma tempestade em alto mar, Pedro soube que daquela forma ele precisava se conservar. Confiante e fiel não somente com as pessoas mas para com Jesus e consigo mesmo.
Antes que alguém questione, é fato que Pedro errou em negar Jesus, mas antes de negar Aquele que sempre confiou nele, ele negou a si mesmo. Foi contrário a tudo o que acreditava, perdeu-se e ficou sob as águas. O que não o impediu de estar sobre ela novamente mais tarde e escrever um inteligente livro da Bíblia.
Vejo que tudo é possível ao que crer...
E trazendo para os nossos dias digo: para os dias que antecedem o dia 31/10/2010, data em que teremos que votar em uma pessoa que irá governar nosso país, que o sobre as águas traz um significado único. O "sobre" quer dizer por cima, enquanto que o “sob” significa submerso, ou escondido. Quando os políticos terão a coragem de colocar sobre as águas todo o seu caráter, a sua vida e suas verdadeiras convicções? Quando vão parar de se colocarem um acima do outro? Até quando vão querer se justificar passando um idéia de perfeição que na verdade não existe? Para que o eleitorado possa ter a certeza de que estará votando certo... os políticos não podem estar sob as águas, mas sobre elas. Muitos ainda não chegaram na superfície, estão atolados em situações inadmissíveis e que todos conhecemos muito bem. Os intervalos viraram a hora do ringue um tentando dar o golpe final no outro. A propaganda eleitoral virou um horário de justificativas quanto a calúnias, ao invés de se apresentar as propostas de governo.
Neste dia 31/10/2010, eleitor, não vá confundir "Sobre" com "Sob".


Pense e vote no "Sobre", ou pelo menos naquele que conseguir chegar até a superfície da água.

Pense nisso!


Texto: Ronaldo Amaro


Adaptação: Roberta Amaro

E O CLIMA NOS INTERVALOS...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

E DEPOIS DAS URNAS...

PICADEIRO NACIONAL


- Na câmara tem palhaçada?

- Tem sim senhor!

Um palhaço chegou no congresso. É o saldo das eleições para Depultado Federal no Estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

Com uma campanha debochada e regrada de humor, o candidato Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca, foi eleito ao cargo de depultado no último domingo, 3 de outubro e primeiro turno das eleições 2010.

Tiririca não foi apenas eleito, ele foi o candidato a Depultado Federal mais votado em todo o país, nada mais do que 1.300.000 votos. Nem mesmo o próprio candidato acreditou no saldo da campanha.

A votação expressiva não passou de um protesto mau calculado, e que agora potencializa as palhaçadas políticas em Brasília. O resultado das urnas confirma a inexperiência e a falta de capacidade do povo em protestar frente as barbáries políticas brasileiras.

Assistindo ao espetáculo só resta a platéia saber: Tiririca é ou não é analfabeto?


Tiririca criou um bordão para sua campanha: "Tiririca, pior do que tá não fica."


Será? Já dizia Tomas Hobbes: "Não há nada tão ruim que não possa ficar pior." No quesito política definitivamente fico com Hobbes.


Só nos resta aguardar as cenas dos próximos capítulos...

Voto dado jamais será recuperado, mais 4 anos de palhaçada, agora com um profissional de carteirinha.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

SOCIEDADE FADADA


" O homem nasce bom, a sociedade o corrompe". Já dizia Rousseau, no século VIII, a citação inspiradora para o título determinista. A sociedade predestinada a corromper o homem, e o homem a viver em sociedade.
Talvez o filósofo estivesse com a razão. Desde os primeiros resquícios de sociedade primitiva a corrupção humana é latente. E a citação de Rousseau abrange todas as formas corruptivas.
Nas primeiras sociedades a corrupção assumiu representações semelhantes as atuais, mas que foram modificando-se com o tempo. A imoralidade corrupta não escolheu culturas, estendendo-se então das milenares orientais às recentes do ocidente. Presente da mitologia grega às sagradas escrituras, nas corruptas Sodoma e Gomorra... do Absolutismo Monárquico às despóticas ditaduras do século XX... nada mudou. A corrupção existe e pelo o que parece, é inerente ao homem em sociedade.
Verifica-se que toda sociedade por mais socialista que seja, e em qualquer estágio de desenvolvimento, foi ou é acometida pelos efeitos da corrupção. O motivo? O Poder. A constatação latente de que a corrupção pode existir. Não há nada que ludibrie mais um homem do que o poder.
E assim como toda forma de poder pode ser um passo para a dominação, todo direito é uma forma de não se deixar corromper.
Estamos a pouco menos de duas semanas para a realização de umas das maiores conquistas políticas. Um direito conquistado em muitas nações democráticas, as eleições diretas, que são ou deveriam ser um marco da liberdade de escolha política de uma população que sempre careceu de representantes idôneos para garantir os direitos sociais.
Num clima afoito e ao mesmo tempo cheio de receios, lá está ele, o protagonista: o voto. Denotativamente definido como uma manifestação de opinião individual, depositada em algo ou alguém. Votar é confiar, ou pelo menos deveria ser...
Na reta final da campanha eleitoral os números divulgados pelo Ibope assustam. Dos entrevistados, 73% das pessoas acham que os únicos beneficiados pela política são os próprios políticos. E quando questionados sobre a venda de votos, 13% dos entrevistados disseram que trocariam o voto por algum benefício próprio.
Venda de voto é crime eleitoral. Dá cadeia! Mas parece que muita gente não liga pra isso. Eu diria que é curioso perceber que um dos direitos políticos mais difíceis de ser conseguido tornou-se o estopim de uma reação em cadeia onde o protagonista é outro: a corrupção. O que quero dizer é que em época de eleições há muita gente "besta" vendendo por muito pouco o que é um direito de escolha. E nesse caso o corrupto que elege não é menos corrupto do que o eleito.
Pouco se espera de medidas de coerção social, como campanhas, palestras, propagandas... até porque corrupção não se resolve com palavras e sim com atitude. Foi-se o tempo em que a corrupção era um desvio provocado pelo caráter, hoje ela é o reflexo do que é a sociedade.
Há duas mudanças que jugo essenciais. A primeira é que o cidadão precisa conhecer seus direitos e entender que quando vende seu voto coloca o seu futuro, o futuro da sua família e o de milhares de brasileiros a deriva. Hoje ele vende o voto por um valor x , amanhã estará pagando 5x de impostos. Amanhã ele pode precisar de um atendimento médico para o filho recém nascido, chegar no SUS e não ter médicos para resolver o problema da criança. Seu filho pode precisar de uma operação de urgencia e não ter médicos para salvá-lo, simplesmente porque... você já sabe!
A segunda mudança é no Judiciário Brasileiro, que deveria ser mais ágil para assegurar a justiça política ao contrário de proteger por lei as falcatruas dos Marajás. Tá aí o Ficha Limpa, que seja aprimorado e levado a risca, porque já tem cadidato ficha limpa só esperando a oportunidade de sujá-la.
Eleitor, não podemos mais compactuar e recheiar o Planalto Central de cuecas, panetones, malas, meias...
Não seja inerte e nem fique anestesiado!
Esse fado supera-se com um voto consciente.
Pense nisso no próximo dia 3 de outubro!