" ESCREVER É AMADURECER COM AS PRÓPRIAS IDEIAS!"

( Roberta Amaro )

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sábado, 27 de março de 2010

TOLERÂNCIA NEGLIGENTE




Este mês pudemos acompanhar o desenrolar de uma tragédia: o assassinato do cartunista Glauco Villas Boas. Uma fatalidade que teve como polêmica a relação de um chá ingerido pelos seguidores da seita Santo Daime com o comportamento do assassino, adepto da seita. Há uma necessidade de esclarecimentos sobre os efeitos desse chá. Assim, quero compartilhar com vocês jovens leitores da minha coluna esses esclarecimentos e declarar minha posição opositora quanto ao uso deliberado de entorpecentes.


No Brasil, o forte sincretismo religioso faz com várias seitas incorporem diversos rituais e utilizem de ervas nativas. A pretenção aqui, não é discutir as finalidades religiosas, mas alertar sobre os perigos de certas ervas, quando ingeridas.


Substâncias como a DMT (dimetiltriptamina), constituinte do tal chá, são capazes de provocar alterações significativas no Sistema Nervoso. Isso acontece porque há um aumento excessivo de neurotransmissores como a serotonina, desencadeando mudanças de comportamento, e diminuição de algumas percepções.


No caso em pauta, sabe-se que o culpado fazia o uso de maconha e que possui um histórico familiar de Esquizofrenia. A ocorrência de um transtorno psíquico é determinante nesse caso, um distúrbio intensifica-se frente a um novo distúrbio. E qualquer tipo de alucinógeno é impactante sobre as funções cerebrais.


O consumo de alucinógenos como a DMT é proibido no Brasil. Todavia, por determinação do Conselho Federal de Entorpecentes, a utilização de ervas dessa espécie em rituais religiosos é permitida, visto a pequena concentração das substâncias na planta. Creio que esse tipo de liberação é um equívoco, já que o consumo causa dependência química. Está comprovado que independente da concentração, alucinógenos potencializam-se quando associados a entorpecentes ou ministrados a pessoas portadoras de disfunções cerebrais.


Tolerar o consumo dessas bebidas é negligenciar não só as leis constitucionais, mas também as inferências técnicas comprovadas a respeito dos variados tipos de droga.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Petróleo: o fim de um mundo



Com o preço de um barril que oscila cerca de cinco vezes ao ano e o processo de esgotamento das reservas catalogadas, o uso do petróleo é mais um dos assuntos do século. Já é um problema cercado de desdobramentos políticos, econômicos, conflituosos, e que nos convida para um novo desafio: conseguir viver sem petróleo.
Um desafio estranho e pretensioso. É claro que o leitor há de convir que ninguém associa sobrevivência ao petróleo. Afinal, quem apresentou ele aos homens da pré-história? Eles viveram sem petróleo. Sim, mas chega de primitivismo anulando nossa realidade. Os tempos mudaram, já dizia minha vó. O desafio parece ter um grande entrave para nós modernos.
Em todo o mundo o consumo cresce em escalas geométricas. Comportamento que promete para a civilização os desafios de racionalizar. A idéia é racionalizar tudo, até petróleo. Contudo, se por um lado avança-se com instaurações de alternativas de substituição energética, por outro encontra-se o grande entrave, descobrir outro combustível que movimente a ordem capitalista. Como viver sem algo que está em praticamente 80% daquilo que compramos? Parece impossível, não?
Não vivemos mais nas cavernas. O nosso atual estágio de desenvolvimento econômico apenas nos condiciona a minimizar o consumo. Ainda não aprendemos a viver sem, já que sempre tivemos. Para o capitalista viver sem petróleo é mesmo o fim de um mundo.

ROBERTA AMARO