" ESCREVER É AMADURECER COM AS PRÓPRIAS IDEIAS!"

( Roberta Amaro )

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terça-feira, 4 de outubro de 2011

ALIENÍGENA

ALIENÍGENA

Há momentos que mesmo não acreditando em toda essa ideia maluca de extraterrestre você acaba compactuando com essa (não) lógica. Digo isso por que apesar de não acreditar nos Ets, discos voadores e companhia limitada, certamente um dia você se sentirá um.
Sim algum dia você será um alienígena, ou melhor, farão você parecer um.
Dia desses conheci uma pessoa que não se conformava em não ter me conhecido ainda, já que mora no mesmo bairro em que resido. "Como assim eu não te conheço?". Essa pessoa disse que não nos conhecíamos pelo fato de eu ficar somente em casa. Ou seja, a culpa só poderia ser mesmo minha né, a alienígena, que impede os outros de me conhecerem pela simples escolha de me reservar ao anonimato.
Bom eu diria que me sinto de consciência tranquila por me dedicar a tarefas mais relevantes do que passear pela rua do bairro com plenos motivos de me fazer conhecida. É imprescionante como o legado de ser popular acompanha a gente desde a época de colégio. Se você não for aquele cara comunicativo ou a patricinha sociável amiga de todos, certamente terá grandes problemas. A regra é ser popular ou pelo menos tentar ser, caso contrário você será um ALIENÍGENA.
Hoje você só é normal se for CONHECIDO. Não importa o que você seja para as pessoas que realmente interessam, para as que não interessam você será sempre um ALIENÍGENA, caso não se insira no padrão.
É a cultura do SE MOSTRAR, que tem sido muito bem reforçada com as páginas de relacionamento online, onde se publicam fotos, história de vida, preferências, rotina, estado civil, estado de espírito, etc. As pessoas sabem mais da vida dos outros do que delas próprias. O visitante do seu orkut conhece mais a sua rotina do que quem de fato está do seu lado. Sua mãe não sabe aonde será a festa do sábado à noite, mas todos os seus 800 "amigos" do orkut possivelmente sabem porque lêem todos os dias suas atualizações. Aliás, sua mãe nem saberá da festa não é verdade?
Uma inversão de valores, se outrora buscava-se a privacidade hoje se faz o impossível para poder expor ela a milhões de pessoas online pelo mundo ao mesmo tempo.
Há pouco menos de um ano fiz um orkut e em menos de 6 meses de uso deletei minha conta. O objetivo era divulgar as minha publicações e meus blogs, mas obviamente não funcionou. Ninguém quer ler no orkut textos, senão as atualizações do tipo: " Maria mudou seu Status para Solteiro". " João recebeu um comentário em sua foto." Tudo bem se você escrever algo interessante e que faça as pessoas pensarem e usar o raciocínio, mas você não ganhará Selos ou estatus de popular por isso. A Joana lá é popular por que sempre tem alguém comentando suas fotos, para isso ela nem precisou usar a "massa encefálica" apenas posou para o flash.
O orkut quer saber se você é bonito ou feio. Se é solteiro ou comprometido, ou até quando seu estado civil será esse. Se você se vestiu bem na última festa, quem ficou com quem. Quem pagou o mico por ter achado que álcool etílico era água. Enfim...
Lá ninguém quer saber o que você pensa, querem saber o que você faz todos os dias.
E isso, sinto muito, não tenho interesse nenhum de que as pessoas saibam. Nem no orkut, muito menos no meu bairro.
Assim eles me fazem alienígena, e eu realmente prefiro me resignar a essa condição de estranha.
Roberta Amaro

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

COISAS DE ADOLESCENTE



" DE QUE ADIANTA SERMOS GATAS SE AMAMOS OS CACHORROS E ELES SÓ QUEREM AS GALINHAS"

Foi o que encontrei escrito em uma das minhas agendas de colégio.
Aos 14 eu amava essa frase. Aliás, não só eu, mas a maioria das minhas amigas tinha essa frase em suas agendas.
Você sabe como é adolescente né? A necessidade de aceitação te faz pegar carona em toda e qualquer novidade do momento. Adolescente é meio parecido com o chuchu, sempre pega o gosto das coisas em volta. Coloque o chuchu com a carne e ele pegará o gosto dela, coleque-o com o frango, abóbora ou qualquer coisa ele pegará o gosto também. O exemplo clássico da "popular da turma", se ela gosta todo mundo ama, já se ela odeia todo o resto detesta.
Pois é, mas assim como todas as fases, essa "maria vai com as outras" também passa rapidinho. Hoje num momento nostálgico, visualizando as velhas folhas dessa agenda, fico a relembrar das experiências... momentos e é claro pensando nessa frase. Chega a ser engraçado ou melhor hilário, sem nexo e intrigante saber que um dia eu pensava assim e ainda concordava com o sentido desse fragmento.
Está certo de não há sentido um relacionamento entre gatas, cachorros e galinhas, todavia parece que nessa frase de agendas eles ocuparam o mesmo triângulo amoroso.
Como já disse, eu amava essa frase, contudo depois de todos esses anos minha maturidade se recusa a compartilhar e apoiar o sentido contido nela. Sabe aquela pergunta: aonde é que eu estava com a cabeça para gostar disso um dia? Pois é, foi a pergunta que me fiz hoje.
Bom, apesar de agora achar um pouco ridículo analisar uma frase dessas, sei que ainda cabe algumas ressalvas para nesse assunto.
Deixando toda modéstia de lado, digo que foi realmente plausível sermos comparadas a gatas. Um sentido figurado que traduz o que eu e minhas amigas sempre fomos, lindas, belas e inteligentes colegiais. Talvez seja essa a parte que mais merecia minha admiração nessa frase.
E o que dizer da segunda parte? As galinhas, vamos reconhecer que elas existem. Nada contra os animais, alías não entendo a razão de associar as pobres aves de galinheiro com essas garotas atiradas que andam por aí. As minhas amigas dizem que é porque tudo o que essas garotas sabem fazer é ciscar no território dos outros. Fura olho, sabe como é? Vai ver que é por isso... Não vamos entrar numa polêmica dessa dimensão.
E agora a parte que me revolta por um dia ter compactuado e acreditado nela: os cachorros. Como assim? Amar cachorros, no sentido figurado e pejorativo de cafajeste, vagabundo, traidor e por aí vai...? Outra vez fico sem entender a comparação, eu amo cachorros de verdade, posso afirmar com toda certeza que essa comparação é duvidosa. Quem tem cachorro sabe que o amor que eles sentem pelos donos é incondicional, eles nunca trairiam um mestre.
O intrigante é: como pode lindas meninas confessarem gostar de rapazes covardes e traidores que pensam só nas atiradas?
Vai entender a mente de adolescente! Ainda bem que no nosso caso era só mesmo uma empolgação instântanea, mas não duvide que tem muita gente por aí envolvendo em triângulos amorosos bem tortos como esse.
Tem coisas que são realmente engraçadas num determinado momento, você até acredita nelas, mas depois elas perdem a graça e o sentido. E nós agradeçemos pela maturidade adquirida.
Gatinhas com gatinhos, vamos deixar que os cachorro se entendem com as galinhas!
Acho que vocês me compreendem né?
Roberta Amaro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AQUELE SÁBADO...



Sábado, dia de festa, balada, curtição!
"Todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite...", já diz a música.
Mas esse não era o nosso caso. A maioria dos nossos sábados têm sido tranquilos, sem muita agitação.
Uma passada de rotina no supermercado e depois esticaríamos até um barzinho legal, mas nada de jantar. Ainda mais naquele sábado, um calor escaldante de noite de verão quando parece que todo mundo resolveu sair de casa ao mesmo tempo.
Decidimos então conhecer um bar/restaurante. Acho que era um bar na verdade. Um lugar que a princípio me soou como um estabelecimento meio hippie. Público de meia idade, iluminação reduzida, lustres um pouco arcaicos, assentos de madeira. O lugar que uma turma de jovens dificilmente escolheria, pela tranquilidade e pelo ambiente.
Pedimos nosso refrigerante sob um som instrumental de uma música sei lá de quem. O som ambiente pouco percebido mais soava como um verdadeiro ruído. No fundo do bar nos lados esquerdo e direito ao balcão duas portas, suspeitei que fossem banheiros. No canto superior das portas a figura de dois cangaceiros. Bem eu não sabia quem era o Lampião, muito menos a Maria Bonita. Que cá pra nós, eu não sei que beleza tinha essa Maria do cangaço nordestino. E eu sabia que se a vontade apertasse naquele lugar, a dúvida ia ser cruel. Alguém sabe me informar qual é o banheiro feminino? Agora parece que é moda identificar banheiros com uma figura. Cadê a linguagem escrita minha gente? Help! Nada contra a linguagem não verbal, mas no caso de banheiros eu prefiro o ELE e ELA, não dá confusão sabe?
Se a intenção da Maria Bonita era me informar que o WC (Water Closet) ali era para ELAS, as Damas, comigo não funcionou. Maria Bonita entrou para o cangaço, enganou o Lampião mais uma dúzia de cabras munidos de armas e cartucheiras e agora eu deveria desvendar o mistério. Em qual banheiro entrar?
A garçonete, que num primeiro momento achei meio tonta, trouxe o cardápio. Optamos pelo tradicional filé com fritas e pronto aguardamos. Conversa vai, conversa vem. O prato do casal que chegou 30 minutos depois de nós foi servido. Outras mesas atendidas, e nós aguardando... e como!
Aquele teria sido um sábado normal, não obedeceria ao lema da agitação o que aquele lugar definitivamente não tinha, mas teria sido normal não fosse um pequeno e notório detalhe: a gaçonete não fez o nosso pedido. Ela esqueceu da nossa porção, conseguiu essa proeza de não fazer um pedido de uma mesa num bar que se havia 30 pessoas era muito.
Ela chegou na nossa mesa:
- Vocês precisam de mais alguma coisa?
- Sim, do nosso filé com batatas.
Uma hora de espera. Parece que é mentira, mas a garçonete fingiu de todas as maneiras. Subiu no segundo andar, provavelmente no recinto da cozinha e retornou dizendo que demoraria mais uns 20 minutos.
- 20 minutos? O quê? 5 minutos e nada mais. Se essa porção não descer em 5 minutos eu vou embora.
Meu pai disse num tom de grande insatisfação.
Uma hora esperando e ela queria mais 20 minutos! Dava tempo de matar um boi, tirar o filé, colher batatas lá na Tailândia e voltar... E depois, na maior das desculpas, num descaramento descomunal ela ainda disse que se pedíssemos só a batata ou o prato tradicional da casa demoraria menos tempo.
Deu vontade de mandar ela plantar batatas lá na Tailândia. Buteco de quinta! Até parece que fomos confundidos com eleitores da Dilma! O pobres a quem ela se referiu de maneira grossa no debate. Bem isso não vem ao caso. Até porque, ela agora é nossa Presidenta. Desculpa aí! Brincadeirinha!
Como dizem as fãs dos coloridos Restart: "uma puta falta de sacanagem!"
Meu pai pagou a conta e fomos embora. O bar perdeu não só quatro clientes mas todos as pessoas que conheço e possíveis clientes. Existem lugares que denunciam pelo ambiente. Da próxima vez que avistar um barzinho meio hippie, com Lampião e Maria Bonita na parede e não souber diferenciá-los, fuja! Fuja logo, antes que esqueçam seu pedido e você volte de barriga vazia e com uma raiva daquelas. Coitada da moça, pode ser que ela tenha até perdido o emprego. Também, quem mandou ser displicente!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

ÀS VEZES É MELHOR FICAR CALADO...


Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava ter um exemplar de uma determinada espécie. Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha este determinado cavalo. Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo.


Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:
- Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor será necessário sacrificá-lo.


Neste momento, o porco escutava toda a conversa.


No dia seguinte deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:


- Força amigo! Levanta daí, senão você será sacrificado!


No segundo dia, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:


- Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar... Upa! Um, dois, três...


No terceiro dia deram o medicamento e o veterinário disse:


- Infelizmente vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:


- Cara é agora ou nunca levanta logo! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Ótimo, vamos, um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa vai...Fantástico! Corre, corre mais! Upa Upa Upa!!! Você venceu, Campeão!!!!!

Então de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:


- Milagre. O cavalo melhorou. Isso merece uma festa. Vamos matar o porco.

Moral: Às vezes, é melhor ficar de boca bem fechada...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PAGANDO MICO







Sinceramente eu não sei o que é pior, pagar o mico ou fazer parte dele. Aliás, mico é mico, um daqueles episódios inerentes na vida de qualquer ser humano. Todas as pessoas no mundo pagam mico, ou pelo menos já pagaram uma vez na vida.
O mico é aquela dívida que todo mundo logo quita de cara... E às vezes que dívida!
Não há uma fase na vida em que a ocorrência dos micos seja maior. Acredita-se que talvez sua incidência dê-se início na pré-adolescência e se estenda por toda vida adulta.(isso tá com cara de diagnóstico médico, hshuahshua!!!). Até porque bebês e crianças não pagam mico, as gracinhas fazem os outros já em fase "micológica" pagarem o mico. Caso esteja nessa fase e tiver filhos, então se prepare... acho que para os pais o pior deles é aquela pirraça seguida de choro e berros no saguão do shopping... AFF!

Procuremos então uma definicão para mico, mesmo sabendo que no quesito diversidade ele ganha em qualquer situação.

MICO: Passar, publicamente, por uma situação embaraçosa e desagradável. Um acontecimento que na hora todo mundo fica sem graça, morrendo de vergonha, mas que depois conta para os amigos (ou escreve em blogs) culminando em boas risadas e crises de risos.

Mas voltando a minha dúvida inicial chego a conclusão de que a quantidade de risadas após o ocorrido mede e determina o que é pior, pagar o mico ou fazer parte dele. No meu caso aconteceu as duas coisas, fui vítima das duas situações.

PRIMEIRO: PAGANDO O KING KONG

Eu estava num supermercado (não falo nomes, não recebo mesmo por merchandising) e precisava de uma informação. Olhei para vê se havia algum funcionário por perto e avistei uma moça com blusa de supermercado. Cheguei perto e perguntei e ela me disse "eu não trabalho aqui" Como assim? Não pode ser! A blusa que a mulher usava era de outro supermercado concorrente e ela por sinal era funcionário do outro estabelecimento. Pedi desculpas e sai rindo de mim. Poxa vida também! Juro que não tive culpa, apesar da falta de atenção. Além do mais, falta de ética dela ir fazer compras no concorrente usando o uniforme de trabalho do outro supermercado. Faça-me o favor!

SEGUNDO: FAZENDO PARTE DO KING KONG (esse eu não paguei)

Outro dia estava eu no ponto de ônibus no centro da cidade esperando o ônibus para casa. Esperar é algo muito chato e eu detesto, inclusive fazer os outros esperar está aí uma coisa que irrita. Mas fazer o quê, apesar dos meus 18 anos ainda não tenho carteira de motorista e nem sei dirigir, e o jeito é andar de "lotaçao". Daí, estava a mais de 30 minutos esperando quando vi um conhecido, ex-colega de colégio, passando. Como sou educada sorri e soltei um: "tudo jóia?" E assim do nada uma menina que também passava no momento veio me abraçar, me cumprimentou dizendo que não estava se lembrando de mim. É lógico né? Hello girl! Nunca vi mais gorda na minha vida! Eu juro que não percebi que a garota estava na frente do meu colega. A reação foi de não saber o que fazer. Pensei então que devia ser rápida, senão meu colega ia passar e eu não saberia me explicar. Resultado, pedi desculpas disse que era um mau entendido e que estava cumprimentando meu colega e não ela. Saiu toda sem graça coitadinha! Também acho que não tive culpa nesse King. Ficamos eu e meu colega rindo.

Gostei de falar de mico hoje! E você? Que tal fazer como eu e contar nos comentários aquele mico King Kong que já pagou? Contribua para as risadas... talvez seu mico seja melhor do que os meus... vai fundo!

Até a próxima! Ou até o próximo King Kong.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O QUE É... HIPOCRISIA



É representar um papel levando em conta as prioridades pessoais


Fábula à grega em dois atos.
Personagens: o Gafanhoto Estressado e a Aranha Bem-Intencionada.
Cena um: o Gafanhoto tenta convencer a Aranha de que um colega de trabalho dos dois, o
Camaleão, é um hipócrita de carteirinha.
-- Esse Camaleão é um fingido, Aranha. Sempre mudando de cor conforme a ocasião.
-- Mas essa não seria só a natureza dele, Gafanhoto? Ele não foi criado desse jeito?
-- Nada! Antigamente, ele fazia o mesmo que nós, dava duro para levar a vida. Depois, virou
esse artista em tempo integral, sempre escondido atrás de disfarces e artimanhas.
-- Mas por que ele faria isso?
-- Para tirar proveito da situação. Ele fica ali, na moita, com aquela cara inofensiva, mas, na
primeira oportunidade, abocanha os descuidados.
-- Puxa, é verdade. E eu, que passo horas tecendo a minha teia, no maior capricho...
-- E eu, que fico pulando de um lado para outro sem parar? É por isso que vivo estressado. Se
me distraio, o Camaleão solta a língua e me pega.
-- É mesmo. Se você não me abre os oito olhos, eu nunca teria pensado nisso.
-- Porque você é singela e bem-intencionada. Sabe como chama o que o Camaleão está
fazendo? Competição desleal no ambiente de trabalho!
-- Faz sentido. Você é um sábio, Gafanhoto.
-- Obrigado, Aranha. Mas o ponto é que não podemos, nunca, confiar no Camaleão.
-- Será que não haveria um jeito de neutralizá-lo? Bom, para nosso benefício mútuo, eu acho
que tenho um plano infalível.
-- Tem?
-- Tenho. Escute...
Intervalo: se os antigos gregos não tivessem inventado as fábulas, a democracia e a filosofia
(e, ademais, sacado que a soma do quadrado dos catetos era igual ao quadrado da hipotenusa),
ainda assim eles teriam entrado para a história por sua habilidade para criar palavras. Como
"hipotenusa". Ou "hipocrisia", termo que significa "abaixo da decisão". Hipócrita, no teatro
grego, era a maneira como o povo se referia ao ator que representava sem nunca tomar
decisões sobre o texto. E seu talento estava em convencer a platéia de que ele não era ele
mesmo, mas sim aquele personagem ali no palco. Milênios se passaram e não surgiu palavra
melhor para definir os hipócritas modernos, que continuam tão dissimulados quanto seus
ancestrais. A diferença é que os hipócritas evoluíram. Agora, eles criam seus próprios
diálogos. Por isso, no palco corporativo, a sobrevivência profissional depende da
sensibilidade para identificar os personagens que estão contracenando conosco. O Estressado,
que ninguém aprecia muito, pelo menos é sincero ao manifestar seus sentimentos. O que nem
sempre é o caso do colega aparentemente bem-intencionado, em quem depositamos toda
confiança e para quem abrimos nosso coração.
Cena dois: o Gafanhoto se aproxima para escutar o plano da Aranha. E se enrosca na teia.
Imediatamente, ela o pica e começa a embrulhá-lo para o almoço.
-- O que você está fazendo, Aranha? Nós não somos colegas e parceiros?
-- Não leve a mal, meu caro Gafanhoto, mas essa é a lei aqui da selva: boa intenção é uma
coisa e prioridade pessoal é outra...